terça-feira, 13 de novembro de 2007

Texto 14 - Diagnose da síndrome de abstinência financeira...



Ao contrário do que se pensa, é no denegrido boato que reside o ponto nevrálgico dos membros do Sistema Financeiro Nacional, o SFN. O que antes era um simples boato pode se transformar, como num passe de mágica, em pânico. Vitimada pela corrosiva boataria, a conseqüente corrida ao caixa esboçaria a crise iminente...
Se “5%” da clientela (constituída de pessoas físicas e jurídicas) do maior banco privado do país resolvesse, a um só tempo, resgatar os recursos a ele confiados, algo de ruim, péssimo mesmo, aconteceria: seu caos financeiro!
Sabe-se que é nesse imediatismo que reside a vulnerabilidade das instituições-membros do SFN, da instituição financeira, já que apenas uma pequena parte do montante de recursos, de que se vale operacionalmente, é retida pela tesouraria com o fito de suprir eventuais e episódicas transações particulares dos próprios clientes, correntistas. Por razões de política monetária, outra parte é estrategicamente entesourada pela Autoridade Monetária.
A parte restante desses recursos, residual, certamente a mais significativa de todas, essa quase sempre é vista transitando nervosamente pelo mundo em busca de alternativas de ganho, rentabilizando-se. Enquanto aí permanecer aplicada, investida, lucrando, ela não estaria imediatamente disponível, senão no futuro próximo, quando de seu resgate.
Ao mesmo tempo em que as aflições, angústias e temores dos tantos clientes, fincam suas raízes em solo fértil, o pânico ganha simpatia gratuita. Crise de confiança acontece!
A avessia ao risco, esse fervilhante caldo de cultura, resolve, então, se fazer presente. Sem demora, seus sentinelas fazem soar o alarme, espalhando velozmente a ameaçadora notícia...
Também vitimada pela agourenta descrença, que, impiedosa, não dá trégua, a instituição adquiriria uma feição sombria, amarga, de intervenção oficial da Autoridade Monetária, de quebra, falência enfim!
O que antes parecia inofensivo, como aquela corrida ao caixa inicialmente impulsionada pela episódica boataria, acaba por asfixiar a instituição financeira.
O abraço letal do boato!

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